E a maçã apodreceu de vez, nem aquele suculento suco sobrou, apenas se tornou uma maçã de se enojar apenas de olhar, e ela estava satisfeita com tudo isso, só não estava preparada para jogá-la no lixo, aquele cheiro apesar de a incomodar, era o que a fazia se sentir naquele mundo realista. Não restou nem a palavra de perdão e nem a piedade ao mais fraco. Ela sentiu o mundo caindo em sua frente e viu que isso não era tão ruim, o impossível um dia acontece. Mas o que é imperfeito não tem concerto, não tem resgate e muito menos salvação. Se nada é perfeito, nada é digno como pode existir o ‘para sempre’?
Elas construíram juntas um caminho, que não podia se apagar, mas chega um ponto em que o desejo já não tem tanta influência. E as tardes embriagadas se afastavam cada vez mais. “Onde estaria ela agora?”, perguntariam ambas, em alguma rua deserta.
Um dia ela vai te perguntar se você ainda daria a vida por ela. Um dia ela vai sumir, tentar seguir seu caminho, e você vai tentar chorar, por consideração.
Ela foi embora para se defender...
Ela sentia-se sozinha diante de uma imensa multidão, para ela tudo não passava de sombras projetadas e destinadas à mesmice. Seus dedos e dentes amarelos e suas narinas sempre com vestígios de substâncias proibidas mostravam que sua vida não passava de breves momentos de loucuras. Sua unha mal feita, seu cabelo pré-penteado e seus olhos todo borrados de tão carregado, mostravam sua ‘divertida’ volta para casa, tudo variava em náuseas de uma noite fortemente alcoólica e proibida, mal dormida pelo incomodo que seu nariz a trazia. Suas tardes eram fumadas tão compulsivamente que ela nem tinha mais do que lembrar. Tudo se desfazia rapidamente como fumaças incômodas que já não a incomodava. Seus dias eram nus e mudos, fazia o ato, porém não sentia o prazer. Sua vida era alucinada e embaçada e isso estava cansando, tudo tinha passado dos limites, tinha ultrapassado os limites da tolerância. Quando aquela pobre garota se deu em si percebeu que não era tão sozinha, além daquela neblina de fumaça tóxica existia o amor, existia a realidade não tão cruel, existia aquela tão procurada e ao mesmo tempo esquecida felicidade e ela nem havia percebido.
Nathy Pöpper
2:40 AM
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[Segunda-feira, Abril 14, 2008]
Sobre alguma coisa
O Sol nasceu, e cada uma deu início àquela vida suja, trocando segundos por divertimento. Uma entrelaçada ao seu ideal, a outra, afundada em poesia, em busca de um pseudo-amor. O cabelo desarrumado, depois daquelas noites de festa, o nariz sempre teimando em fungar, e a maquiagem perdida pelo rosto.
Pathy Ranghetti
2:26 PM
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[Domingo, Abril 06, 2008]
Poço do esquecimento
Ela já não tinha mais esperanças, seus dias cada vez mais cinzas iam se apagando como lápis no papel. Ela estava caindo num poço fundo, escuro e sem vida. Os dias passando e suas forças se acabando, ela pensava que aquele transtorno não passaria nunca e que seu destino era sofrer e sofrer, sem dó nem piedade. Naquele estagio ela só pensava em se drogar, e esquecia do mundo a sua volta, esquecia que precisava viver de verdade, viver cada instante, ela tinha esquecido até de amar. E isso estava, ou pelo menos aparentava satisfazer ela. Puro engano. Ela estava afundada num poço de lavas, no qual não tinha forças pra sair, e os dias passavam e aquela lava ia deformando tudo o que existia e restara dela. Mas a vida, meu amigo, sempre lhe dá oportunidade, é só saber reconhecer, e ela, mesmo naquele estado lamentável conseguiu se reerguer, aquela mão foi sua salvação. Os dias mudaram desvairadamente, aquele foi o seu momento pra se erguer completamente e ela conseguiu. Ela tinha realmente esquecido o que era se sentir viva completamente. Ela tinha esquecido o que era gostar de alguém que merecesse. Ela tinha esquecido que a vida é o motivo de estarmos aqui.
Nathy Popper
11:47 PM
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[Terça-feira, Abril 01, 2008]
As vezes
Ela se afundava naqueles pensamentos, como se não existisse outra coisa. E ouvia aquela voz a cada segundo, só pra senti-lo mais perto. As palavras nunca serviram pra nada, e nada do que ela fazia servia. Os olhares iam perdendo o significado, e aquele prazer ia sendo substituindo por uma certa frustração. O silêncio feria. Ele a feria. E na verdade, nunca houve nada de bom nisso tudo. É como se eles fossem só um passatempo mal inventado, ou mal aproveitado. Será que é tudo inútil?
Pathy Ranghetti
7:02 PM
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[Terça-feira, Março 25, 2008]
Sempre Mais
Ela sentia que a vida estava preste a melhorar, que o mundo em sua volta estava finalmente ao seu favor, até aquela nuvem tinha sumido, o céu estava tão limpo e azul, mas o azul não era sua cor preferida, ela precisava sempre de algo mais, algo que lhe mostrasse que ainda esta viva. Nas festas ela sempre procurava algo que lhe fizesse sentir adrenalina, que lhe deixasse sempre bem, aquele sorriso no rosto dela era apenas uma mascara que ela segurava para não cair em qualquer momento. Todos a desejavam, e ela nem percebia, ela estava tão centrada naquela cena que lhe fazia sofrer que o resto não importava, mas ela era forte e tão forte que não deixava se abalar, ou pelo menos, isso ela queria e conseguia demonstrar. Ela se drogava quase que compulsivamente aquele dia, talvez isso fosse uma forma de esconder aquela pequena dor, que estava ali ao lado dela. Dava conselhos aquelas pessoas que nem se importariam com ela no mesmo estado, mas sabendo que aquele conselho seria mesmo uma auto-ajuda. Menina de vários amores, menina de amores puros e confusos, menina serena, ela era perfeição com pitadas de pecado, e isso que lhe tornava assim, sempre a querer mais!
Nathy Pöpper
11:16 PM
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[Segunda-feira, Março 24, 2008]
Simples
De que importa os anos que passaram? O tempo não costuma voltar atrás. O cigarro queimaria até o filtro, e ela nem perceberia. Ela perdeu lágrimas a cada centímetro daquela rua. Um dia ela vai te dizer que o tempo se esgota, e as pessoas mudam. Você nem mesmo vai entender.
Simplesmente optou por libertar-se deste plano material. Justamente ela, que sempre teve a cabeça no lugar, diriam os outros.
Pathy Ranghetti
5:12 PM
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[Sexta-feira, Março 21, 2008]
Quem arrancou as paginas?
Ela estava cada vez mais fraca, suas expressões não mostravam o que ela realmente sentia, era como se sua vida fosse um livro aberto, mas com paginas arrancadas. Tentou varias vezes se reerguer e conseguiu, só que neste momento, pra ela o chão era o lugar mais seguro a permanecer, era o ultimo estágio. O tempo passa muito rápido e isso pra ela esta se tornando mais um medo, só mais um pra sua enorme coleção. O que ela sempre pensava era anestesiar aquela dor, aquela pequena dor, e então ela fugia, sem sentido sem destino, ela fazia isso só para sentir que estava viva, e dificilmente conseguia, as bebidas eram cada vez mais fortes e ela nem sentia mais. Ela apenas estava querendo esquecer tudo aquilo.
Nathy Pöpper
1:08 AM
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[Quinta-feira, Março 20, 2008]
O Sol fugindo pela janela
Ela só não aguentava mais ter sempre aqueles sonhos. Só não aguentava mais pensar sempre naquele olhar. E o mundo de repente ficou tão pequeno. E ele de repente tornou-se um tudo e nada. A tempos a dor não era tão ruim. A tempos ele não significava tanta coisa. Era só dormir pra tentar esquecer. Era só sumir pra não precisar rever aquelas cenas.
Pathy Ranghetti
3:05 PM
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[Quarta-feira, Março 19, 2008]
Escapatória
Ela fumava cigarros compulsivamente, e isso era uma forma de fugir dos problemas que a atormentava. Ela achava que a fumaça substituiria a dor, espalhasse e embaralhasse até sumir aqueles pensamentos indiscretos. Ela só queria alguém ao lado dela naquele momento, mas alguém de verdade, e não aqueles amigos imaginários que sempre surgiam pra lhe confortar, mas nem isso estava resolvendo mais, já tinha passado tudo dos limites. As lagrimas não escorriam do rosto dela, nem pra isso ela tinha mais forças. Boba, é o que diriam pra ela se contasse tudo o que esta pensando. As bebidas que ela ingeria não faziam tanto efeito, não mais que aqueles doidos e alucinógenos contradizeres que estava em sua mente. As drogas que ela costumava a usar estavam amenizando a dor que ela sentia da impotência de sempre perder, de sempre sofrer. E ela estava cansando de tudo isso, mas sabia que seria banal banalizar aqueles sentidos. A melhor escapatória que ela teve foi fingir que nada aconteceu, e que a preocupação é algo que ainda não lhe atingiu.
Nathy Pöpper
4:29 AM
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Última sombra
Ela foi gastando as últimas forças para fugir do arrependimento. Abaixou a cabeça e seguiu qualquer caminho, que a levasse para bem longe daquela imagem. Só esperava manter-se bem longe do arrependimento. O bem se perdeu, se uniu a tudo que ainda restava e sumiu. O sorriso se apagou, e os resíduos foram para o lixo. Era então só o medo de perder aquele vazio.
Pathy Ranghetti
12:06 AM
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